É quando chega a noite que vem a pior
parte. Junto com a escuridão vem o frio e a sensação de impotência. Claro que
os resmungos ajudam a piorar o estado. Nervos a flor da pela. Qualquer movimento,
qualquer barulho, pode desencadear algo muito bizarro... E potencialmente
mortal. Seguro a espingarda com um fervor quase religioso. Sei o que ela
significa para o grupo, já que para nos proteger no começo dependíamos de
coisas improvisadas, como panelas. A vida era dura no princípio. E piorou cada
vez mais e mais e mais... Enquanto espera, que tal um joguinho? Enquanto “eles”
não vêm. Venha, pois Zombicide Tá na Mesa!
Zombicide é um jogo cooperativo
lançado via kickstarter pela Guilliotine Games e Coll Mini or Not. Criado pelo
trio Raphael Guiton, Jean-Baptiste Lullien e Nicolas Raoult, Zombicide foi um
sucesso estrondoso e imediato, já com versão em português pela Galápagos. Mais
que um jogo, foi uma febre, alcançando a fantástica marca de 4000% no fim do
financiamento coletivo. E depois ainda conseguiu superar a marca em 2013 com a
Season 2 e em 2014 com a Season 3.
- Season 2? Isso é jogo ou enlatado
norte-americano idiota.
Membro da Geração Coca-Cola xoxa,
calma lá! Zombicide foi claramente inspirado nos clássicos filmes de Zumbi de
George Romero (Nota da Sra. Slovic: Nunca confundi-lo com Romero Brito! É
sério!) e no fenômeno The Walking Dead. E aproveitando a onda do seriado, por
que não criar Seasons para o jogo? Jogada bem bolada dos criadores.
Os jogadores assumem o papel de
sobreviventes em um mundo arrasado pelo apocalipse zumbi. Com suas habilidades
únicas e um senso de união, devem evitar sucumbir a hordas cada vez maiores de
zumbis, enquanto cumprir uma determinada missão. O turno é dividido em duas
partes: na primeira os jogadores fazer diversas ações como: movimentar,
procurar, combater, abrir portas ou fazer barulho. No início cada jogador só
tem três ações e conforme vai matando zumbis, ganha novas habilidades e ações. Depois
de todos os jogadores usarem suas ações é a vez dos zumbis. O jogo possui uma
elegante mecânica que simula ima Inteligência Artificial para o movimento dos
mortos vivos ambulantes (Nota do Sr. Slovic: Sacaram a referência?), com uma
simples regras: eles se movimentam na direção de qualquer personagem em sua
linha de visão ou da maior fonte de barulho, e não por acaso, cada personagem é
uma fonte de barulho. Os zumbis só tem uma ação, então ou se movimentam ou
atacam (exceto do tipo Corredor, que tem duas ações).
- E zumbi tem tipo? Esse é um jogo
tipo tosco!
Meu caro rascunho de Shane, há
quatro tipos de zumbis: Lerdos, Corredores, Balofos e (as mais que temidas)
Abominações. (Nota da Sra. Slovic: Depois com o lançamento das Seasons vieram
novos tipos, mas isso fica para outro Tá na Mesa!) e cada um tem
características diferentes. O tabuleiro é modular, o que permite a criação de
vários cenários, pois além dos dez que vem no manual, é possível criar suas
próprias missões facilmente. Cada personagem (são seis no jogo base), tem sua
própria fica, com as habilidades iniciais e, o mais bacana, uma arvore de experiência.
Para quem não sabe, isso significa que assim que o personagem tem várias opções
para escolher quando passa de nível, tornando-o diferente a cada partida. Todos
começam no nível azul e, conforme vão eliminando os zumbis, passam para
amarelo, laranja e vermelho, mas cuidado! Sempre na fase de ativação dos
zumbis, cartas serão sorteadas determinando quanto zumbis entram em jogo (Nota
do Sr. Slovic: Sim, a cada rodada mais e mais zumbis entram no tabuleiro. É uma
verdadeira horda.) e o número e tipo de zumbis depende do nível dos jogadores:
quanto maior o nível, maior o desafio.
Zombicide comporta de um a seis
jogadores (Sim, é possível jogar sozinho!) com duração extremamente variada.
Depende da missão, que pode durar 30 min até seis horas, ou mais. Como já
falamos, o jogo é cooperativo. O jogador é eliminado se receber dois ferimentos
(Ninguém disse que a vida pós-apocalipse seria fácil) e, em algumas missões, se
um personagem morre, é fim de jogo.
Além de tudo que vem no jogo, existe muito material extra, tanto oficial, quanto feito por fãs: personagens, miniaturas estilizadas, equipamentos, zumbis. Alguns foram extras do próprio financiamento coletivo, outros vieram depois de consolidado o fenômeno Zombicide.
- Feito por fãs? Isso é pirataria! E deve ser mal feito pra burro.
Na verdade, seu xing-ling defeituoso, tem muito material de excelente qualidade feitos pelos jogadores. Não é difícil encontrar na internet ficha de personagens famosos dos quadrinhos, TV e cinema. A própria empresa encorajou essa explosão criativa em torno do jogo e utilizou-se da estratégia nos financiamentos das Seasons!
No geral é um ótimo jogo. É um
jogo para se pensar e agir em grupo. Às vezes é necessário um sacrifício para o
bem maior do grupo e nunca é sábio sair correndo em carga para matar zumbis.
Eles são burros, até mesmo previsíveis, mas estão em maior número e são como
uma Hidra: “corte um e dois surgirão em seu lugar”. Se ficar cercado, game
over! É também um jogo cruel e até difícil de vencer, principalmente nas
primeiras partidas. Pode ser frustrante tentar uma, duas, três, quatro vezes e
perder sempre. O jogo é tão dependente da sorte, quando da estratégia. E as
miniaturas são um show a parte. Cada tipo de zumbi tem várias formas, deixando
o jogo, visualmente falando, fantástico. O jogo fez (e ainda faz) muito sucesso
nas listas de melhores jogos e a cada ano tenta se revitalizar com novas
Seasons (Nota do Sr. Slovic: Essas Seasons não são expansões. São jogos
independentes, mas totalmente compatíveis. É possível, e muito legal, juntar os
tabuleiros em um único e insano cenário), mas o tema está um pouco batido.
Terminamos aqui o especial
temático: Sexta-Feira Treze. Não deixe de nos curtir no Facebook e nos
Instagran. E até o próximo Tá na Mesa!





.jpg)


